e sem querer eu quero
pois pra querer basta ser eu
que é cheio de querer as coisas
qualquer coisa que possa ser querida
querendo a noite
querendo o diasó não quero o medo
de te querer ainda mais
do que eu
queria.
Gente de coração mimado, querendo o amor na boca, dispensando os olhares da vida, com medo do amor que surge logo após o primeiro sorriso arrancado. Tem que ter medo mesmo, o amor também é solidão e sofrimento. Você pode amar sozinho, a dois, a três, e é difícil amigo, é sempre difícil, e ainda assim é amor. Amor é paciência, é esquecer, é guardar. O amor dá errado, o amor não sai do papel, o amor mora nos sonhos uma vida inteira. O amor te entrega tudo e te pede de volta. Te surpreende e te esquece. O amor te dá o mundo para escolher, mas conta ao mundo outra história. O amor é ontem e agora. O amor te dá chances. O amor tem diversos nomes. É lindo e é difícil, meu amigo. Ainda assim é amor. E ainda assim vale a pena.
Amou três mulheres. Amou dois homens. Amou uma cadela e logo depois uma dúzia de filhotes que, vieram de um pai desconhecido, aparentemente muito bom em pular portões. Amou o trabalho. Amou as férias de 2008. Amou o encontro com os amigos da época da escola — e lembrou que amou um deles. Amou o vestido de uma garota no metrô. Amou centenas de pessoas no metrô que não sabia o nome, e nem por isso deixaria de amá-los. Amou o tempo. Amou a mãe. Não conseguiu dizer ao pai que o amava, mas também o amou. Amou um disco. Amou quatro filmes e está amando o livro que está lendo, indicação de alguém que ele tentou não amar, mas amou muito. É o homem mais sozinho do seu bairro e é o único que acorda cantando e dizendo bom dia, até nas piores segundas-feiras. Ele ama as segundas-feiras.
“Não entendo como as pessoas conseguem esperar algo de mim. Logo eu, uma pessoa fodida tanto psicologicamente quanto emocionalmente.”— Pedricovick.
(via nothingisrealman)
“Uma criança cai e chora alto até a mãe escutar, mas quando cresce e leva uma rasteira da vida, começa a chorar escondida e bem baixinho no escuro do quarto, pra não precisar explicar uma dor que aparentemente não corta, mas machuca bem mais do que um joelho ralado.”— Sean Wilhelm.
(via cartas-rasgadas)
(Source: seanwilhelm, via nothingisrealman)
— Por que teus olhos brilham tanto, se amanhã é só mais um dia de trabalho? Por que teus olhos brilham tanto, se amanhã não é sexta e muito menos sábado? Por que brilham tanto, se nesse mar vejo somente os barcos e nunca atravessamos o oceano? Por que este sorriso, se não conhece qualquer paraíso e vê o mundo somente das vitrines? É uma falta de respeito com as pessoas tristes, esse brilho, esse sorriso.
— Brilham porque a vida não existe somente aos finais de semana. A vida acontece em plena quarta-feira, numa sala de cinema, nas mãos dadas do casal que não se importa com o sal da pipoca. Brilham porque no meu bairro tem um samba que não tem na Europa e a saudade tem o gosto doce quando me contam da tua volta. Brilham quando uma amiga me entrega um segredo e quando saio para gastar o meu pouco dinheiro, com qualquer besteira que combine comigo. E, porque, você fica lindo assim reclamando.
É por isso que meus olhos brilham tanto.
Ele nem sabia mais por qual paixão chorava, de tanto que tropeçava, de tanto que se enganava e chamava de amor qualquer céu nublado, achando que o vento levaria as nuvens e traria o Sol. A tempestade insiste em chegar antes, mesmo assim ele ama e se deixa molhar, sonhando com dias de roupa seca e coração quente. Com o corpo pesado de toda água que carrega ele chora, dentro dele é chuva, noite e dia, mas ele nunca desiste, sempre encontrando luz em olhos que jamais serão dele. Coitado, vê beleza em tudo e carrega a pior das maldições; amar demais. Ele foi assim a vida inteira, desde criança e questiona quem o chama de louco: – Ora, meu amigo, louco é tu, que ama pouco.